Igor Gehrke
1 min readAug 5, 2020

Palavra muda

Hoje você quer, amanhã quem sabe.
Talvez o mundo rotacione mais que si
E o que mude não seja apenas a luz
Nem tão somente essa rotina insípida.

Algo morre e renasce, a cada por-do-sol.
Pingos transmutados em dúvida gotejam.
Escorrem ácidos a cada amanhecer,
Acabando serenos numa calçada qualquer.

Como a pomba que pousa morta no cordão
Cujo sangue penetra nas pedras frias da rua
Existe esse nada, que insiste em mim
E o abraço apaixonado que nos torna um.

Do norte o vento que sopra o suave da vida,
Do sul o caos paira eufórico sobre a água.
Então desmembra-se, o ser e a alma,
Um pedaço do coração em cada canto.

Em toda casa que não chega a ser lar,
E em cada rua torta que não é caminho,
Ali goteja insistente aquele terror:
Onde vou?

No responses yet