Que desassossego
Comecei a ler este livro, que fico tentado a classificar como ácido. Mas não, a melhor palavra seria pungente.
E se me corrói desta maneira, é porque deixei estar. Me coloquei em tal situação para ser capaz de sentir que certos fatos me doem.
E não machucam por serem fatos propriamente, isso não faria sentido. Mas porque, no fundo, sei que não deveria ignorá-los.
No fundo, sei que eles trazem uma verdade além dos fatos. Trazem à tona tudo que gostaria de fingir que não sei, porque assim poderia esquecer do que deixo de fazer.
Mais que isso, essas são apenas constatações dos fatos. A ironia de tudo é o que mais me diverte.
Os fatos não são místicos nem extraordinários. No máximo metafóricos ou análagos, apenas para dar uma credibilidade à sensibilidade. Apenas para serem reais, apenas para não embrutecer e para não me levarem ao pessimismo cego.
Nele há metáforas suficientes para me deixar uma esperança muda, mas pensante.
Para presentear aqueles que se dispõe com um empurrão para o abismo. E este empurrão também é metafórico, já que estamos todos numa queda livre. E, ainda sim, é preciso de força para sairmos da inércia.